jan 29

Matéria feita para o Portal Vital da Empresa Unilever - www.portalvital.com

1)      É muito comum ouvirmos que Brasileiro deixa tudo para última hora. Há alguma explicação na Psicologia para este hábito de procrastinar as coisas (seja na vida pessoal ou no trabalho) ou é algo mais cultural?

Procrastinar é o nome dado ao comportamento de adiar tarefas ou atividades necessárias e importantes, em algum contexto da vida. A Psicologia Comportamental acredita que todo comportamento motor é aprendido, sendo fortemente influenciado por três fatores simultaneamente: biologia do organismo, a educação que o indivíduo recebe e, a cultura em que ele está inserido. O Brasil não é um país que investe na educação, se comparado a outros países melhores desenvolvidos. A conseqüência negativa da cultura brasileira é a desorganização, a impulsividade, o consumismo, o imediatismo, a procrastinação e outros. No entanto, vale dizer que há muitas conseqüências positivas da Cultura Brasileira, como a criação, criatividade, flexibilidade, humanidade ou afetividade nas relações e outros. O ponto a ser considerado é o contexto.     

O comportamento de procrastinação é desenvolvido ao longo da história de vida do indivíduo e se torna um hábito, em sua dinâmica de vida, devido às freqüentes repetições deste comportamento e possíveis conseqüências positivas. Diz-se, então, que a pessoa adquiriu um hábito comportamental: procrastinar.

2)      Em geral, o que percebo é que as pessoas que adiam seus deveres podem até sentir algum prazer fazendo alguma atividade nesse intervalo de tempo, mas sentem também culpa e não conseguem tirar esse “peso” da cabeça. Quando a situação chega ao limite (o fim de um prazo de trabalho, por exemplo, ou de um horário x), elas se desesperam para cumprir a obrigação, e aí me parece que entra um elemento de sofrimento. Ou seja, elas não fazem, mas não deixam de se preocupar e no fim ainda sofrem para conseguir cumprir. É isso mesmo?

Sim. É uma perfeita descrição de uma pessoa que escolhe procrastinar. É importante dizer que procrastinar é uma escolha, assim como quando escolhemos emitir qualquer outro comportamento, por exemplo, ligar para um amigo, estudar, organizar o quarto, entre outras atividades. A diferença está entre escolher fazer ou não fazer determinada atividade; entre emitir ou não emitir um comportamento compatível com a realização de uma atividade.

O sofrimento emocional (angústia, culpa, frustração, outros) fica condicionado à própria escolha de procrastinar. Neste momento, é muito comum que o indivíduo tenha pensamentos recorrentes com relação ao próprio comportamento e atividade. É comum, também, que ele se envolva com outras atividades que lhe dê prazer, para que ele possa sentir-se melhor consigo mesmo, atenuando o sofrimento emocional e como estratégia de enfrentamento da situação que ele está vivendo.  O indivíduo sabe que está evitando realizar alguma atividade que lhe é importante e que pode lhe trazer aborrecimentos futuros ou conseqüências negativas. Porém, este conhecimento não é suficiente para motivá-lo ou convencê-lo a modificar esta conduta de procrastinação para assertividade. Muitas vezes, ele prefere assumir os riscos, administrar as conseqüências negativas e manter esta atitude. Importante dizer que este sofrimento emocional desaparecerá somente quando o indivíduo realizar a atividade que ele está evitando ou adiando.

3)      Há alguma causa para este hábito? Qual (is)?

As causas, como disse na primeira pergunta, são três: a biologia do organismo do indivíduo, a educação que ele recebeu, somada as suas experiências de vida, e a cultura em que ele está inserido. Como disse, todo comportamento motor é aprendido e  é influenciado por estes três elementos. No caso do comportamento de procrastinar, é provável que ou a pessoa não saiba como agir diante de uma situação e, portanto, não saiba realizar a tarefa e adia por esta razão, ou a pessoa escolhe se envolver com outras atividades concorrentes aquela que ele está adiando, porque é mais fácil, é mais prazeroso, é mais rápido, entre outras razões que predispõe a procrastinação.  

 Como influência de cultura, o Brasil dá poucos modelos de condutas assertivas, que envolvem organização, planejamento, autocontrole, limites, iniciativas e acabativas. A cultura Brasileira propõe aos Brasileiros criarem a sua própria maneira e estilo de viver e isso inclui comportamentos.

Desta forma, o comportamento de procrastinar é reforçado pelo Brasil, pelos Brasileiros e, portanto, pela Cultura Brasileira, se pensarmos na falta de punição ou na falha de punição, quando o indivíduo que escolheu procrastinar precisa absorver as conseqüências negativas desta escolha. É muito comum o individuo ou se livrar destas conseqüências ou não tê-las. Certa vez, ouvi uma colega dizer que havia deixado de pagar uma conta. Ela não só deixou de pagar a conta na data do vencimento, como também ganhou desconto e pagou um valor menor do que era devido, se ela tivesse pagado no vencimento. Claro, que não podemos cair no erro de generalizar as situações. No entanto, este é um bom exemplo de como o Brasil, os Brasileiros e a Cultura Brasileira reforça a procrastinação. 

4)      Pela sua experiência e observação, é um hábito que normalmente as pessoas arrastam pela vida ou é mais comum em determinadas fase da vida?

Depende da pessoa. Para cada fase da vida, de acordo com a idade e maturidade da pessoa, há condições dela emitir e aprender vários comportamentos. Todos de acordo com sua capacidade física e mental. A fase da vida determina apenas o que a pessoa está apta a fazer e a aprender. No entanto, quem decide se evolui ou se mantém os comportamentos aprendidos é a própria pessoa. Quem decide se irá procrastinar é a própria pessoa. Nesta hora, a pessoa precisa escolher entre enfrentar a situação e, muitas vezes, aprender novos comportamentos para realizar a tarefa ou adiá-la até o limite e se envolver com outras atividades. Esta escolha não têm relação com a idade, porque as atividades são compatíveis com sua dinâmica de vida e com suas capacidades.

5)      O que pode ser feito para deixar esse hábito de lado? Se for impossível abandoná-lo de vez, há alguns “artifícios” para ajudar minimizar os efeitos.

Deixar este hábito de lado é aprender novos comportamentos para substituir o comportamento de procrastinar. Toda pessoa saudável (que não possui nenhum transtorno físico ou mental impeditivo ao aprendizado de comportamentos), pode aprender novas atitudes e abandonar hábitos negativos ou errados. 

Novamente, toda e qualquer modificação de comportamento depende da pessoa. Ela pode ter informações muito úteis e importantes para modificar tal conduta de procrastinar. No entanto, ela precisa escolher querer ou não querer modificar tal comportamento. Na situação desta pessoa escolher modificar tal atitude, ela precisa por em prática novos comportamentos assertivos, que substituam os comportamentos de procrastinar. Para isto, ela precisa receber orientações terapêuticas de novas condutas. A Terapia Comportamental auxilia na construção de uma análise funcional do comportamento de procrastinar (como surgiu, qual a utilidade deste comportamento e porque ele existe na vida do indivíduo) e propõe ao indivíduo novas habilidades comportamentais (maneiras diferentes e adequadas para viver uma determinada situação), extinguindo assim o comportamento de procrastinar.

jan 12

Olá Doutora!

 

Então, minha dúvida é: todos os sitomas que eu tinha do pânico passaram, mas eles voltam quando eu entro no carro, ônibus, parece que vou desmaiar, sinto um desespero, minhas mãos soam, meu coração acelera, eles voltaram agora quando estou em algo que se movimenta.

 

Posso dizer que isso também faz parte do pânico???

 

Obrigada desde já,

 

Leticia

Olá Letícia,

 

Podemos dizer sim que estes sintomas físicos fazem parte do Transtorno de Pânico. Cada pessoa tem uma história de desenvolvimento do Transtorno Psicológico que possui e, desta forma é importante perceber quais os estímulos, internos ou externos, que estão desencadeando seu mal estar (sintomas e o pânico). Olhar apenas para os sintomas é insuficiente para afirmar se você está sofrendo de pânico novamente, porque estes sintomas são bastante característicos de uma intensa ansiedade que está presente nos diversos tipos de transtorno de ansiedade; o pânico é apenas um deles.

 

Como você já foi diagnosticada no passado com Pânico, é muito provável que estes sintomas sejam característicos do Transtorno de Pânico. No entanto, sugiro que você procure novamente seu Psiquiatra para avaliar estes sintomas, realizar um diagnóstico e, se necessário, iniciar o tratamento medicamentoso e uma Terapia.

 

Um abraço,

 

Lilian Boarati

 

 

 

 

nov 23

Matéria Gravada para à Revista Online Minha Vida. 

Para assistir ao vídeo da matéria, acesse:  www.minhavida.com.br  Ítem: TV Minha Vida - Família. 

nov 19

Matéria à Revista Viva! Mais -  www.mdemulher.abril.com.br

1)   Porque acontecem brigas de família no final de ano? A bebida e a extravagância ajudam para que isso ocorra?

O final do ano é uma data muito importante na vida das pessoas. É neste momento que ela se propõe a avaliar tudo o que aconteceu com ela nos 12 meses que configura o ano letivo. A pessoa observa-se mais: resgata lembranças de situações que ela viveu, das dificuldades pessoais, dos objetivos conquistados e dos objetivos que não foram alcançados, como também de seus relacionamentos afetivos.

Esta auto-análise sobre a vida e sobre os fatos ocorridos e vividos ao longo do ano estimula a pessoa a pensar nos problemas que ela gostaria de ter resolvido e de situações que ela gostaria de ter enfrentado durante o ano, e que não foram possíveis. Desta forma, é muito provável que a pessoa busque atingir tais objetivos nos poucos dias que restam, aproveitando o momento da reunião familiar.

O evento natalino é uma oportunidade de encontrar com pessoas da família, de conversar sobre diversos assuntos e de resgatar assuntos que ficaram pendentes ao longo do ano.  A pessoa que produz uma discussão neste evento familiar não compreende que o objetivo deste encontro é festejar um momento especial para todos, é sentir paz e harmonia com a família, é sentir felicidade e prazer, é deixar de lado os problemas ocorridos ao longo do ano e acima de tudo é viver uma experiência de afetividade com os membros da família. Estas pessoas agem com oportunismo e egoísmo, olhando apenas para suas necessidades emocionais, buscando resolver seus problemas pessoais e, em geral, não se preocupam com o próprio bem estar e o bem estar da família.

O fator álcool é um forte estimulante fisiológico que capacita a pessoa a dizer e fazer coisas que ela não conseguiu quando estava sóbria. É uma espécie de auxílio emocional para o enfrentamento de uma conversa ou situação de alto desafio pessoal. No entanto, a pessoa não obtém os resultados que deseja e, recebe como conseqüência, novos conflitos familiares para administrar e resolver em outros momentos.

2)   Como as pessoas devem fazer para solucionar esta questão de maneira simples e com classe?

A solução é simples e exige maturidade por parte da pessoa que está sendo provocada ou convidada a brigar. É importante que a pessoa não dê atenção as provocações (intrigas, críticas, ofensas, xingamentos, entre outros tipos de provocações) e não dê atenção á pessoa intrigante. Ficar em silêncio, não ouvir o que a pessoa tem a dizer, afastar-se fisicamente da pessoa e, acima de tudo, ter autocontrole sobre as próprias emoções, visto que a raiva é um sentimento provável de surgir em situações como esta.

Importante dizer que a indiferença ou a falta de atenção a pessoa intrigante, fará com que ela iniba seus comportamentos e suas provocações. Esta atitude será reativa a atitude madura da pessoa que está sendo provocada. Não compre a briga! Silencie!

3)   Quais são as causas mais comuns dessas brigas de final de ano?

 

As causas não são gerais e iguais a todas as famílias. Quando falamos de causas de comportamentos é necessário avaliar quais problemas os membros desta família possuem e quais problemas a família possui. É fato que estes problemas serão evidenciados em todos os encontros familiares e o evento natalino é mais um momento de relação familiar que predispõe a manifestação destes problemas.

 

O importante é olhar para o evento natalino como uma circunstância de relacionamento familiar afetivo, que precisa imperar o amor, o respeito, a paz, a felicidade e o bem estar de todos. Sem dúvida, este evento não é propício para discutirem e resolverem os problemas da família ou dos membros da família.

 

Alguns motivos mais comuns:  dinheiro, mágoas, situações mal resolvidas, divergências de opiniões e de personalidades diante de alguma circunstância familiar, entre outros. Todos os motivos representam falta de habilidade e assertividade da pessoa que provoca a briga. 

 

4)   Como resolver a situação: quando uma fofoca vem à tona e os envolvidos resolvem solucionar a questão bem na festa de final de ano.

 

Pessoas que gostam de fofocas, contam e fazem fofocas em qualquer situação. Não seria diferente na festa de final de ano. A pessoa que faz a fofoca tem como objetivo criar um stress na família, desarmonizar o relacionamento familiar e impedir que as pessoas sintam prazer e felicidade.

 

É importante que os envolvidos ajam com maturidade e assertividade. Isto significa que a pessoa pode escolher como agir nesta situação. Ela pode e deve escolher se afastar da pessoa que faz a fofoca, no evento natalino, e posteriormente em outro momento deve procurar a pessoa para conversar a respeito e expor seus limites a ela, dizendo claramente que este comportamento não lhe agrada e que comprometerá sua relação com ela.

 

Agir desta forma é libertar-se da condição de ser vítima da fofoca e da pessoa que faz a fofoca. É também evitar conflitos e brigas na festa. Novamente, é importante ter autocontrole para suportar a situação e o desconforto do momento.

 

5)   Como resolver a situação: quando uma pessoa que já bebeu um pouco mais resolve cobrar uma dívida antiga.

A pessoa que bebe um pouco mais, bebe por escolha e bebe porque acredita necessitar da bebida para se expor a uma situação de dificuldade pessoal. A bebida serve como escudo, como proteção a eventuais conseqüências negativas da briga, pois todo bêbado é visto pela sociedade como vítima e, em geral, as pessoas relevam suas atitudes e seu discurso ofensivo, agressivo e chato.

Nos eventos sociais e familiares esta pessoa age com a intenção de criar uma situação aversiva para um membro da família e para a própria família, visto que todas as pessoas presentes serão afetadas negativamente. Seu objetivo é resolver seu problema com o auxílio da bebida e não se responsabilizar pelos atos cometidos, uma vez que a pessoa embriagada perde parte da consciência de seus atos e não possui controle sobre suas ações e reações físicas e emocionais.

Nesta circunstância é importante que as pessoas presentes ignorem completamente toda e qualquer atitude e discurso da pessoa embriagada. Há uma regra na relação com uma pessoa bêbada: ela não está em condições emocionais e físicas para se relacionar com ninguém. Não há como fazer escolhas sensatas se a pessoa está fortemente influenciada pelos efeitos do álcool em seu organismo. Mesmo que ela tente ou queira, terá pouco ou nenhum controle sobre si mesma, sobre a situação e sobre as pessoas. Portanto, o melhor a ser feito é silenciar e se afastar da pessoa e da confusão que ela poderá criar. Deixe-a absorver sozinho o impacto negativo de suas emoções e do desconforto ambiental.

Passado aquela situação, é importante que alguém da família procure a pessoa para conversar sobre o ocorrido e que sugira um tratamento para ela se libertar da dependência do álcool, como medida de enfrentamento e resolução de um problema pessoal. É importante também que a família expresse os sentimentos negativos sobre a conduta da pessoa no evento familiar.

6)   Como resolver a situação: aquele sobrinho que não para quieto acaba quebrando algo da casa onde a festa está acontecendo.

Há duas hipóteses. A primeira é que a criança não esteja sendo educada a respeitar os pertences e o espaço alheio. Nesta situação, a criança acredita que têm o direito de mexer em qualquer objeto alheio para brincar ou para saciar sua curiosidade. Esta é uma característica comum e esperada por parte das crianças. Elas precisam tocar nos objetos para conhecê-los e para entender sua função. A cognição da criança é concreta e materialista. No entanto, as crianças que não se preocupam com os danos causados por suas atitudes precisam receber melhores orientações sobre relacionamento social: o direito do outro é igual ao seu.

A segunda hipótese é que a criança pode estar participando de um evento no qual não há espaço para ela se expressar e não há brinquedos ou brincadeiras para sua idade. Nesta situação, é provável que ela procure o que fazer na festa e manipular objetos desconhecidos é para a criança uma brincadeira muito divertida.

Como solução para a primeira hipótese, é importante que os pais ou responsáveis oriente a criança sobre o que pode e o que não pode ser feito na festa e no ambiente em que ela está. É importante também que ela seja convidada a participar de alguma brincadeira ou diversão, pois o que ela procura é uma atividade que lhe dê prazer. Na situação da criança desobedecer e manter seu comportamento de inquietação, de manipulação dos objetos e de causar danos aos objetos, seus cuidadores precisam ir embora da festa e dar conseqüências ao comportamento da criança. Isto significa que ela precisa perder algo que estime muito por conseqüência de seu mau comportamento, visto que a primeira tentativa foi conversar com a criança na festa sobre os direitos e deveres dela durante o evento familiar.

Como solução para a segunda hipótese, é importante que os pais providenciem alguma atividade lúdica e prazerosa à criança, como brinquedos e brincadeiras. Na situação de não haver esta possibilidade, é importante que os pais permaneçam na festa por um tempo mínimo e que se preparem para outros novos eventos do mundo adulto, levando objetos e brinquedos aos filhos. O interesse da criança não é quebrar objetos ou ser desrespeitosa com ninguém. Ela está à procura do que fazer para ocupar o tempo de sua permanência na festa e se divertir tanto quanto os adultos.

7)   Como resolver a situação: discussão por causa da hora que o jantar deve ser servido, já que, geralmente as pessoas mais idosas preferem cear antes das mais jovens.

A solução é simples e fácil. Todos precisam compreender que crianças e idosos possuem necessidades iguais entre si e diferentes dos adultos. A festa é glamorosa para os adultos. Eles valorizam mais a festa em si, ou seja, a diversão do momento, as pessoas e a ceia. As crianças e os idosos valorizam o momento da união familiar, o afeto, o respeito, a cordialidade. A ceia é apenas mais uma refeição que precisa ser oferecida no seu horário de jantar costumeiro.

Como solução, é importante que tenha uma pré-ceia aos idosos e crianças e a ceia para os jovens e adultos. Assim, o encontro familiar será prazeroso e benéfico a todos de maneira especial e individual.

8)   Como resolver a situação: quando uma pessoa esquece o presente do amigo secreto e causa revolta na outra pessoa que deveria receber o mimo.

Esta é uma situação de total desrespeito pelo amigo secreto. É necessário que a pessoa ou volte para casa e pegue o presente ou compre outro presente. Na situação de não ter como voltar para casa e não ter como comprar outro presente, porque a casa é longe do ambiente da festa e porque as lojas estão fechadas, é importante que a pessoa chame seu amigo secreto, antes da brincadeira, explique o ocorrido, peça-lhe desculpas e se comprometa em dar o presente no dia seguinte. Feito isto, a pessoa pode improvisar um presente afetivo para dar ao amigo no momento da brincadeira. Este presente pode ser um abraço, uma expressão verbal da estima pelo amigo, com dizeres genuínos sobre seu carinho, admiração e afeto pelo amigo.  

9)   Como resolver a situação: quando familiares distantes se encontram e resolvem tirar satisfação do porque não ter sido convidado para festança dada no aniversário de um terceiro.

As pessoas que aproveitam o momento natalino e festivo para tirar satisfação de alguma outra circunstância familiar, estão pouco interessadas no evento atual, ou seja, não estão valorizando o encontro familiar do momento. Estão valorizando um evento passado. 

É importante que as pessoas questionadas respondam as questões de maneira clara e objetiva, sem dar espaço para uma maior discussão sobre o assunto. Na situação das pessoas não aceitarem ou não compreenderem as razões dadas, vale apenas ouvir o que as pessoas magoadas têm a dizer e não continuar o assunto. Dê espaço para as pessoas expressarem seus sentimentos, desde que esta expressão seja respeitosa. Do contrário, diga às pessoas que você está disposto a ouvi-las quando elas estiverem dispostas a falar sobre o assunto com respeito.

Outra maneira de resolver a situação é dizer as pessoas magoadas que você conversará com elas sobre o assunto em outro momento e que seu objetivo, nesta festa natalina, é viver um agradável momento em família. Para que as pessoas magoadas se sintam acolhidas em suas necessidades, deixe uma data marcada ou agende com elas um encontro para as próximas semanas.

10)               Como resolver a situação: quando histórias antigas vêem a tona e dão o que falar.

Histórias antigas representam dificuldades pessoais em conversar sobre estas histórias. De modo geral, as pessoas temem as conseqüências desta conversa. Não se sente seguras o bastante para expressar suas idéias e sentimentos a respeito de fatos passados e escolhe adiar o máximo possível a resolução destes fatos.

Estas histórias acompanham as pessoas há algum tempo, talvez anos. Não há necessidade em expor tais histórias em festas natalinas e familiares. Novamente, é preciso entender o objetivo do encontro familiar na festa natalina. É preciso dizer a estas pessoas que este não é o momento para conversar sobre as histórias passadas. Histórias antigas costumam ser mais importantes do que festa natalina, porque as histórias passadas mal resolvidas afetam negativamente a vida emocional das pessoas e a festa natalina afeta de maneira positiva.

Desta forma, há necessidade de se criar um novo encontro familiar, para que todos os envolvidos na história passada se encontrem e conversem a respeito. O resultado desta conversa dependerá da maturidade de cada um dos envolvidos.  Igualmente na ocasião da festa, em que as pessoas precisam aceitar esperar por um novo encontro. Afinal, estas histórias já existem algum tempo, o que sugere que as pessoas incomodadas sabem esperar o próximo encontro marcado para conversarem a respeito.

Do contrário, se a imaturidade e a impulsividade estiverem presentes, é importante que alguém da família ponha limites claros quanto a não discutirem e não conversarem sobre tais histórias no evento atual: festa natalina.

out 30

Onicofagia: Roer às Unhas. Porque Roê-las? Como Parar?

Matéria Gravada para a Revista Online Minha Vida.

Para assistir ao vídeo da matéria, acesse: www.minhavida.com.br  Ítem:TV Minha Vida - Saúde.

Onicofagia é o nome científico, dado ao habito de roer às unhas, das mãos e/ou dos pés.

Este hábito pode ter início na infância, a partir dos 4 anos de idade, ou ser desenvolvido ao longo do tempo, em qualquer idade.

A aquisição deste comportamento aprendido está diretamente relacionada a uma dinâmica de vida estressante. O Stress é o fator que predispõe a emissão deste comportamento. Entende-se por Stress toda e qualquer situação de vida, produtora de intensos sentimentos: ansiedade, angústia, tensão, irritabilidade e preocupações recorrentes sobre uma determinada circunstância atual.

Estas situações geram algum transtorno emocional para a pessoa, devido à dificuldade de enfrentamento e resolução da situação ou devido à falta de habilidades da pessoa em se expor com segurança à situação. É comum as pessoas sentirem-se inseguras, com dúvidas, inibidas, retraídas, tímidas, indefesas, com baixa auto-estima e imaturas para viver a situação temida.

Desta forma, o ato de roer às unhas alivia os sentimentos da pessoa na situação e desloca sua atenção para as unhas e para a dor física, quando roer às unhas produz machucados, sangramentos e dor.

Quando este comportamento, roer às unhas nas situações temidas e de estresse, se repete com freqüência e produz como conseqüência, alívio de sentimento e auxilia a pessoa enfrentar a situação, a pessoa aprende a roer às unhas para suportar a sobrecarga emocional que ela sente por viver tal situação e para ter coragem a se expor na situação temida.

A Onicofagia não é um transtorno psicológico. No entanto, expressa um desequilíbrio emocional e comportamental perante uma determinada situação, com conseqüências nocivas ao indivíduo. A estética das unhas e das mãos fica comprometida, com aspecto feio: vermelhidão, inchaço e sangramento. A saúde da pessoa também fica comprometida, visto que a pessoa pode engolir pedacinhos de unha, totalmente indigesto ao organismo, engolir pele e ter um foco de contaminação viral, inflamações e infecções na região machucada.

Como tratamento, é importante que a pessoa cuide assiduamente das mãos e unhas, fazendo-as semanalmente e usando cremes dermatológicos para hidratar e cicatrizar os machucados. O resultado destas atitudes é construir uma relação mais afetiva com as mãos e pés, de forma que a pessoa sinta-se orgulhosa de si mesma por ter unhas bonitas e limpas.

Outra dica de tratamento, mais eficaz, é observar-se nas situações temidas e de estresse, para avaliar o que há nestas situações que produz dificuldade, preocupação, ansiedade, medo, insegurança, angústia, nervosismo e que impulsiona a pessoa emitir o comportamento de roer às unhas.  

Quando se têm uma compreensão sobre as dificuldades pessoais e em quais situações estas dificuldades aparecem, fica mais fácil substituir o comportamento de roer às unhas por outro comportamento saudável e assertivo, a ser aplicado em tais situações.

Exercícios de relaxamento e de respiração diafragmática são bastante eficazes para a exposição pessoal a diversas situações de estresse.

out 15

Entrevista à Revista Ouse - www.revistaouse.com.br

1.   Qual a importância de uma mulher morar sozinha uma vez na vida?

A importância de uma mulher morar sozinha está diretamente relacionada aos objetivos da mulher (para que morar sozinha? o que a mulher espera desta experiência?) e aos benefícios desta experiência. Nesta situação, estes benefícios de dividem em estrutural e psicológico.

Do ponto de vista estrutural, a mulher exerce com mais freqüência e constancia a autonomia de si mesma. Isto significa que a mulher cria e administra a dinâmica da sua vida, realizando mais escolhas e tomando mais decisões de acordo com as suas necessidades e desejos. Não há necessidade em negociar e compartilhar nada que se refira a sua estrutura de vida.

Do ponto de vista psicológico, a mulher desenvolve autoconfiança, auto-estima, maturidade, habilidades comportamentais, independência e modifica seus valores e princípios com relação à vida, as pessoas e o mundo.

É importante dizer que morar sozinha é apenas uma maneira possível, de muitas outras existentes, em adquirir tais benefícios.

2.   Quais as vantagens de morar sozinha?

Em qualquer circunstância de vida, sempre haverá vantagens e desvantagens, que serão vividas de maneiras diferentes para cada pessoa. Neste caso, para cada mulher.

Esta condição de vida: morar sozinha, quando escolhida pela própria mulher, tende proporcionar uma experiência ímpar e bastante positiva: de maturidade.  

Considero como vantagens todos os benefícios, estrutural e psicológico, descritos na primeira pergunta, somando o autoconhecimento.

A experiência de morar sozinha é única e diferente para cada mulher. No entanto, todas elas vivenciam o processo de autoconhecimento, que é uma ferramenta necessária para construir uma dinâmica de vida funcional positiva: de qualidade física e emocional.

As mulheres aprendem, nesta circunstância, muitas coisas importantes sobre si mesma, sobre a vida, sobre o mundo, sobre as pessoas e reavaliam toda a sua estrutura atual de vida (pessoal, social, familiar e cultural), construída e aprendida ao longo de suas experiências. Isto acontece porque elas observam mais suas necessidades, seus comportamentos, suas dificuldades pessoais e buscam soluções para seus problemas.

Viver sozinha é uma condição que exige da mulher o autogerenciamento da própria vida: ela passa a depender de si mesma, de suas atitudes, para criar uma vida de qualidade e para enfrentar e resolver problemas relacionados à sua vida. Para que isto ocorra, é necessário que ela aprenda novas habilidades comportamentais com o intuito de criar e manter uma vida funcional positiva e que seja adequada para a atual circunstância: morar sozinha.

Este cenário, de vantagens, é mais frequentemente vivido por mulheres que ou escolheram morar sozinhas ou por mulheres que precisaram morar sozinhas, mas que superaram as dificuldades emocionais e os fatores que a predisporam a viver tal condição de vida. Do contrário, é possível que no início haja poucas vantagens para estas mulheres.

3.   E as desvantagens?

Assim como nas vantagens, a desvantagem é vivida de forma singular, ou seja, cada mulher sentirá e viverá as desvantagens de forma exclusiva.

Para as mulheres que moram sozinhas por necessidade e não por escolha, é comum sentirem-se angustiadas, tristes, tensas, ansiosas, em solidão. Na condição destas mulheres transformarem esta experiência em algo positivo, de aprendizado: a estar e viver sozinha, a estruturar a vida com qualidade, a enfrentar e resolver suas dificuldades comportamentais e emocionais, as desvantagens emocionais se transformam em vantagens emocionais. Do contrário, se for uma experiência sofrida, traumática, de difícil superação, é provável que estas mulheres desenvolvam algum transtorno psicológico: depressão, pânico, ansiedade generalizada, fobia, estresse ou outros.

É comum, após um grande período de tempo morando sozinha, a mulher ter mais dificuldade em compartilhar a vida com algum parceiro e em ser mãe. Outra conseqüência esperada, mas não muito comum, é que a mulher enfraqueça sua rede de relação social, podendo diminuir ou extinguir sua participação em eventos familiares e sociais. Quando isso acontece, a mulher percebe-se com poucas habilidades sociais e se esquiva propositadamente dos encontros com os familiares e amigos, preferindo estar sozinha. Isto também pode ocorrer com os homens.

Na condição de morar sozinha, a mulher aprende a criar uma rotina de vida ímpar, que atende apenas as suas necessidades. Ela não tem compromissos e responsabilidades com nenhuma outra pessoa, que não ela própria. Isto significa que ela pode escolher viver a vida como ela quer ou como ela acredita ser mais adequado e apropriado a si mesmo: escolher o que comer, o horário das refeições, o que assistir na TV, o tempo gasto para qualquer atividade, principalmente dentro de casa.

Este cenário se modifica quando a mulher se casa ou mora com um companheiro e quando ela é mãe. Não há mais a possibilidade de gerenciar a vida somente para si própria. É necessário que ela aprenda a compartilhar suas escolhas, decisões, atividades, para o benefício de todos: do casal ou da família. No entanto, esta nova conduta não implica em perder sua individualidade. Sem dúvida, é necessário ter momentos de individualidade, em que a mulher possa estar com ela mesma e sozinha, possa fazer escolhas e tomar decisões cujas conseqüências estejam relacionadas com sua feminilidade e benefícios pessoais. 

4.   Porque temos frustrações quando ficamos sós?

Nem todas as mulheres sentem frustração quando estão sozinhas. Se isto acontece é porque a mulher não se considera uma boa companhia para ela mesma. Não está confortável e não sente, ou sente pouco, prazer e satisfação consigo própria. É possível estar sentindo-se insegura, com baixa autoconfiança e baixa autoestima e estar dependente ou de uma estrutura de vida ou estar dependente emocional e psicológica.

Há também situações de mulheres que se separaram, perderam seus companheiros ou filhos, adoeceram, perderam emprego, que vivem situações de estresse negativo e que sentem frustração e outros sentimentos, devido aos fatos e a condição de estar sozinha para superar tais fatos. 

A frustração, assim como outro sentimento humano, é um produto colateral ou resultado de uma situação ou circunstância de vida. Estar sozinho é um exemplo de uma situação de vida.

5.   O que deve ser feito quando uma pessoa que mora sozinha se sente muito só?

Acredito ser necessário, para a superação do sentimento de solidão, a identificação dos fatores que estão tornando a vida da pessoa mais sofrida e com mais dificuldades. Desta forma, é possível que a pessoa consiga modificar estes fatores responsáveis, para proporcionar uma relação mais segura e prazerosa consigo própria.

Algumas pessoas preferem identificar e resolver seus problemas sozinhos. Outras preferem iniciar um processo terapêutico, praticar meditação, viajar e refletir sobre a própria vida, entre outros recursos disponíveis de enfrentamento e resolução.

Se olharmos para o nosso processo de crescimento, desde o nascimento até a idade adulta, é comum observarmos certa dependência física e emocional com nossos cuidadores: pais, avós, babás, família e amigos. Aprendemos neste processo de vida, a estar em constante relação: em companhia de alguém por um longo período do dia e a satisfazer nossas necessidades, física e emocional, nestas relações.

No entanto, é esperado, que ao entrarmos na vida adulta, enfraquecemos ou superemos estas dependências, de modo a termos mais segurança e satisfação na relação intrapessoal, e não sentirmos solidão quando estivermos sós.

6.   É verdade que o autoconhecimento melhora? Por quê?

Sim. A experiência de morar sozinha facilita a auto-observação e a aquisição do autoconhecimento. Isto acontece porque a pessoa que mora sozinha precisa se observar a todo o momento: suas crenças e princípios, seus sentimentos e emoções, suas necessidades e dificuldades, seus comportamentos, seus problemas e estratégias de mudança, para que ela possa estruturar uma vida de qualidade para si própria e por ser ela a única responsável por esta construção.

Como eu disse, o autoconhecimento é uma importante ferramenta de informação para qualquer pessoa: mulher ou homem. É através do autoconhecimento que a pessoa se torna capaz de realizar escolhas mais condizentes com sua necessidade e realidade de vida. Assim como a produzir mais benefícios, físicos e emocionais, como resultado de suas atitudes. Se a pessoa não possui um conhecimento profundo e crítico sobre si mesmo, é provável que ela própria crie seus problemas, que sofra por possuí-los e por não saber resolvê-los. Fatalmente a estrutura de vida, nesta circunstância, se torna precária, ineficiente e improdutiva para a própria pessoa e para todos que se relacionam com ela.   

O processo de aquisição do autoconhecimento ocorre quando a pessoa possui um tempo para estar com ela mesma, com o objetivo de observar, refletir e analisar estrategicamente tudo o que está acontecendo em sua vida no momento, quais mudanças são necessárias e como aplicá-las em sua vida. 

7.   Quais são as principais diferenças que uma pessoa enfrenta quando passa a morar sozinha?

Cada pessoa vive e sente o processo de morar sozinha de uma maneira diferente, com uma intensidade emocional, com dificuldades e facilidades peculiares a própria personalidade.

É comum, no início, a pessoa sentir-se um pouco perdida, tensa, ansiosa, angustiada, com dificuldade para reorganizar e reestruturar a própria vida. Afinal, é uma nova condição de vida para ela. Algo que ela está experimentando pela primeira vez e que exigirá novos hábitos e comportamentos, que serão adquiridos com a própria vivencia e experiência.

Acredito que uma importante diferença seja o gerenciamento de sua vida, de maneira independente: irá cuidar de si própria, de sua casa, de sua alimentação, de suas roupas, de suas contas, entre outras responsabilidades.

A vida emocional também é afetada com a mudança de morar sozinha. A pessoa que mora sozinha precisa ser a primeira companhia dela própria ao dar colo, acolhimento, carinho, empatia e afeto, nos momentos de dificuldades e sofrimento.     

out 13

Entrevista à Empresa CDI - Comunicação Corporativa

1.       Porque as pessoas se distraem quando estão realizando uma tarefa?

Nem todas as pessoas se distraem quando realizam alguma tarefa ou atividade. No entanto, quando isso acontece é comum identificarmos uma ou mais causas.

Falta de objetivo, falta de objetividade e estratégia para a realização da tarefa, problemas de ordem física (saúde), ordem emocional (psicológica), ordem pessoal (social, familiar, financeira) e estímulos, que podem ser de ordem externa (qualquer coisa do ambiente: sons, imagens, acontecimentos, etc.) e de ordem interna (pensamentos, imagens, sentimentos).

2.       As pessoas podem fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo e as duas serem bem feitas?

É sempre possível realizar duas ou mais coisas ao mesmo tempo. No entanto, a qualidade das atividades depende da atenção que a pessoa possui ao realizá-las.  Na situação de haver duas atividades dentro de um mesmo contexto como, por exemplo, ouvir uma palestra e anotar informações sobre esta, é provável que a pessoa obtenha êxito e que os resultados sejam positivos, porque ambas as atividades são complementares.

Porém, se as atividades pertencerem a diferentes contextos como, por exemplo, estudar e ouvir música, é provável que a pessoa ou escolha uma atividade para realizar, deixando a outra de lado, obtendo sucesso apenas na atividade escolhida, ou não consiga finalizar ambas as atividades com qualidade, caso escolha realizá-las simultaneamente. Para a realização de qualquer atividade é necessário haver dedicação e, portanto, atenção direcionada ao processo da atividade escolhida.

3.       Quais são os principais problemas de concentração? Existe cura/tratamento para isto?

Problema de concentração só é um problema quando causa algum prejuízo na vida do indivíduo. Este prejuízo pode ser de ordem física, psicológica, emocional, social, familiar, profissional, cultural ou até mesmo de aprendizagem.

Alguns distúrbios psicológicos produzem problemas de concentração. É o caso do Stress, do DDA (Distúrbio Défict de Atenção) e do TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo). Nestes casos, é comum a pessoa ter dificuldade em manter atenção ou concentração por muito tempo na atividade realizada, prejudicando seu desempenho e, muitas vezes, criando problemas a si própria, como conseqüência de seu baixo desempenho. A distração, por decorrência dos fatores apresentados na primeira questão, prejudica a qualidade da tarefa realizada como também o aprendizado sobre o processo de realização da tarefa.

Nos casos de problema de concentração não relacionado a distúrbios psicológicos, a problemática pode estar no ambiente em que a tarefa é realizada, na dinâmica de vida da pessoa, na falta de conhecimento e de habilidades com relação à atividade e no aprendizado atual.

Outra diferença, entre estas duas condições, é que os portadores de algum transtorno psicológico possuem uma dificuldade muito maior em ter controle sobre a atenção e a distração. Isto significa que a resolução do problema de concentração é mais difícil e mais sofrida.

No entanto, em ambos os casos existe a possibilidade de aprendizagem de novas condutas, como tratamento, para a superação deste problema. 

4.       Têm alguma dica para melhorar a concentração?

Sim. No entanto, esta resposta depende dos fatores pelos quais a pessoa se distrai. Se o problema de concentração estiver produzindo conseqüências e prejuízos negativos para a vida da pessoa, sugiro que ela procure por um terapeuta comportamental. Desta forma, ela terá condições de compreender os motivos de sua distração e terá condições de aprender novos comportamentos para enfrentar e resolver esta problemática.

Outra dica é reavaliar suas dificuldades do momento, que podem estar interferindo na concentração e criar estratégias de mudança para a superação desta problemática. Neste caso, vale à pena reavaliar seus objetivos com relação à atividade, seu conhecimento sobre o processo de realização da atividade, a prioridade desta atividade em seu dia e em sua vida, suas dificuldades pessoais (habilidades pessoais, intolerância a frustração, dificuldade em respeitar e seguir ordens e regras, hierarquia, processo, inassertividade, capacidade de fazer escolhas, dizer não, entre outros fatores pessoais) que podem interferir negativamente e seriamente em seu desempenho e na qualidade da atividade realizada.

O ideal é que a pessoa consiga estabelecer metas de prioridade de atividade e seguí-las de maneira a cumprir uma atividade de cada vez, pois o processo de realização de qualquer tarefa ou atividade exige da pessoa que ela foque a atenção no que está sendo feito até a finalização da tarefa. Isto significa que a dedicação a tarefa precisa ser exclusiva e não pode concorrer com outra atividade ou estímulos presentes na situação. E, para que isto ocorra é necessário que a pessoa tenha ou desenvolva autocontrole e que saiba fazer escolhas. 

5.       O que desconcentra uma pessoa com mais facilidade: odores, ruídos ou imagens? Por quê?

Todo e qualquer estímulo externo (do ambiente: odores, ruídos, imagens, situações, objetos, pessoas, etc) e estímulo interno (da pessoa: pensamentos, crenças, imágens, sentimentos, emoções, preocupações, etc.) e problemas psicológicos, pessoais, familiar, social, financeiro, de saúde, entre outros.

Todos estes fatores possuem a mesma capacidade de influenciar a atenção e a concentração de qualquer pessoa. O fator que determina se estes fatores, escritos acima, prejudicarão a atenção ou a concentração da pessoa, em uma determinada situação ou atividade, é a própria pessoa. E, isto dependerá das habilidades e da capacidade dela própria, ao viver tal situação ou realizar tal atividade. 

6.       Eu li uma matéria sobre o assunto a qual afirma que “os neurocientistas descobriram que o cérebro é capaz de concentrar os esforços em uma só direção, mas aí basta um estímulo, qualquer um, para mudar de rumo; a tendência vale para todo ser humano? A senhora concorda com a afirmação? Por quê?

Creio que sim. Não possuo um conhecimento preciso sobre a neurociência. Acredito que se as pesquisas feitas pelos neurocientistas seguem o gênero humano, isto se aplica a qualquer ser humano, sem excessão e diferenças de raça, cultura, etnia, sociedade, etc.

Do ponto de vista da psicologia comportamental, o ambiente da pessoa é um fator de grande influência a toda e qualquer ação humana e quando falamos de estímulos, externos e internos, necessariamente estamos falando de ambiente e da relação que o ser humano estabelece com seu ambiente. É nesta relação que aprendemos a nos comportarmos e a concentração é um dos principais elementos para que o aprendizado ocorra. Qualquer aprendizado: teórico, prático, comportamental, segue um processo experimental; de experiências e internalização cognitiva destas experiências e das conseqüências destas experiências. No entanto, este processo de aprendizagem fica comprometido ou prejudicado quando não há ou há pouca compreensão sobre o que está acontecendo, durante o processo experimental. E, o prejuízo se inicia quando há pouca concentração para o que está sendo feito e vivido. 

Desta forma, o cérebro humano tem suas funções que permite ao indivíduo adquirir conhecimento e aprendizagem, dado uma experiência ambiental. Isto significa, que qualquer pessoa humana é capaz de focar atenção e ter concentração ao viver uma situação ou ao realizar uma atividade. Este processo favorece qualquer aprendizagem e faz parte da espécie humana. No entanto, pode haver desequilíbrio nas funções cerebrais, como ocorre com os neurostransmissores; uma queda ou elevação das substâncias neuronais (dopamina, serotonina, noradrenalida), necessitando de tratamento medicamentoso para ajustar novamente as funções do cérebro e devolver ao indivíduo sua capacidade de concentração, necessária para aprendizagem.      

7.       É mais fácil manter a concentração em atividades simples ou complexas? Porque?

As pessoas que possuem dificuldade de concentração possuem em qualquer circunstância que envolva atividades simples e complexas. O que ocorre é que para as atividades simples, definida como atividade operacional, de pouco raciocínio para sua realização, é esperado que a pessoa dispense menor atenção ou que tenha menor concentração, devido a facilidade da tarefa e simplicidade desta. Ao contrário de uma atividade complexa, definida como atividade reflexiva, de análise, de avaliação, de aprendizado, de cuidados para sua realização. Por este cenário, das diferenças entre os tipos de atividades, é esperado que haja uma maior dificuldade em manter a atenção ou a concentração nas atividades complexas.

     8.       Algumas empresas possuem comunicador. As mensagens instantâneas atrapalham a concentração na mesma intensidade que um telefone ou uma pessoa chamando a atenção? Qual a melhor maneira de manter a concentração no trabalho sem ignorar os estímulos externos?

Sim. Como já relatado, nas questões acima, mensagens instantâneas, telefone e pessoas chamando são estímulos externos, que podem distrair a pessoa e prejudicá-la em sua atividade e função.

Em um ambiente de trabalho ou ambiente público, os estímulos externos e internos aparecem com muito mais freqüência e intensidade. Nestes casos, é importante que a pessoa tenha assertividade para por limite a estes estímulos, que tenha habilidade em colocar estes limites sem que prejudique sua relação com outras pessoas e a si mesma, que tenha capacidade em fazer escolhas, priorizando as tarefas mais importantes e/ou urgentes, que tenha determinação em seguir todo o processo de uma atividade (início, meio e fim) antes de iniciar uma nova atividade ou fazer duas atividades concorrentes ao mesmo tempo e, acima de tudo, que tenha autoconhecimento para perceber quais estratégias são necessárias para ter auto-controle e enfrentar a distração, causada pelos estímulos do próprio ambiente.

Muitas vezes, a pessoa reestrutura seu horário de trabalho, modifica o local de sua mesa, de seu computador, determina horários fixos para acessar e-mails e atender chamados telefônicos e pessoais, usa bloqueador sonoro, entre outros recursos disponíveis que auxilia a pessoa ter e manter atenção e concentração. Por isso, a importância do autoconhecimento, pois o que funciona e auxilia uma pessoa, não necessariamente funciona e auxilia outra pessoa.

out 6

Entrevista à Jornalista Abiane Souza, da TV Aparecida - www.tvaparecida.com.br

Qual a sua dica para quem está cursando uma universidade e ainda tem dúvidas no que está fazendo? O que deve ser levado em conta?

  

A sua pergunta me fez lembrar a minha experiência pessoal. Na época em que eu estava confusa quanto à escolha de minha profissão e, portanto, da graduação. Eu sabia apenas que queria atuar na área da saúde, mas não conseguia escolher em qual função, se medicina, se enfermagem, se nutrição, se fisioterapia,… Bem, optei por fazer um teste vocacional, que me confundiu mais ainda. O resultado do teste foi a área de humanas, mas as sugestões das funções eram opostas a que eu inicialmente havia pensado: Freira, Assistente Social e Pedagoga. Pensei: e agora, o que eu faço? Preciso me inscrever no vestibular e não tenho certeza do que quero estudar e me graduar.

 

Eu optei, então, por procurar profissionais que trabalhassem já alguns anos, nas profissões que eu cobiçava. Conversei com médicos e enfermeiros nos hospitais, nutricionistas, fisioterapeutas e também com Assistentes Sociais e Psicólogos Clínicos e Hospitalares. Descartei a Freira, que eu não me identificava.

 

De tudo o que eu ouvi sobre a prática dos profissionais, selecionei Fisioterapia e Psicologia. Assim, eu optei por fazer terapia e fazer fisioterapia postural. Vivi por algumas semanas a experiência de ser paciente destes dois profissionais. Percebi uma maior satisfação em fazer terapia e segui por mais 10 longos anos, diversificando apenas a abordagem da psicologia. Nestes anos fui experimentando a Psicologia Psicodramatista, Yunguiana, Psicanalista, Cognitiva-Comportamental e Comportamental. Escolhi a Comportamental.

 

A meu ver, a escolha está diretamente relacionada com a identidade ou com a personalidade da pessoa. Quando estamos confusos sobre qual escolha fazer, o primeiro passo é nos projetarmos na situação e na função que iremos exercer, mesmo que futuramente. Esta estratégia, de reconhecimento, nos permite avaliarmos nossa satisfação, prazer e atuação, no contexto em que estamos nos projetando.

 

Então, se uma das escolhas é medicina, recomendo a pessoa conversar com um médico no hospital, para que a pessoa possa se imaginar atuando como médico, de maneira bastante parecida com o médico que ela está observando e entrevistando. Certamente ele irá exercer esta função no futuro, se a escolha for prestar e cursar a medicina.

 

Este processo é importante para que o estudante pessoa se imaginar no ambiente de trabalho: agindo neste ambiente de trabalho e praticando a medicina através de um conjunto de comportamentos que a própria profissão exige. No meu caso, eu conversei e observei Psicólogos Hospitalares e fiz terapia, porque não podia observar um Psicólogo Clínico atuando.

 

A minha dica é que vale a pena, e é importante para todo jovem, buscar primeiro informações teóricas sobre a profissão desejada e em segundo que faça entrevistas com vários profissionais, no local de trabalho deles, para que eles possam buscar conhecimento sobre a prática desta profissão. Fazendo isso, ele terá condições de se avaliar reproduzindo comportamentos que estão inseridos na função desejada e aí terá uma resposta mais verdadeira sobre sua vocação, habilidade profissional e afinidades pessoais com cada uma delas. Neste momento, estamos falando da personalidade e da identidade deste Jovem.

 

As pessoas que estão cursando uma faculdade e não se sentem seguras e certas com a escolha que fizeram, podem e devem viver o mesmo processo. É preferível rejeitar uma escolha feita anteriormente a mantê-la com alto custo emocional (desprazer, frustração, angústia, etc).

 

A felicidade, o bem estar e a qualidade de vida têm relação direta com a auto-realização pessoal e a profissão está dentro deste cenário de vida pessoal. Se o profissional mantém sua função por qualquer outro interesse que não o prazer, a satisfação pessoal, ele têm mais chances de adoecer emocionalmente.

 

Portanto, o que se deve levar em conta é: a identidade ou personalidade da pessoa, a afinidade com a função ou com a prática da profissão, a estratégia de avaliação da profissão e da auto-avaliação, a decisão e escolha pela profissão e a maturidade emocional para realizar novamente este processo, caso a pessoa perceba que fez a escolha errada ou perceba-se com dúvidas e infeliz.

set 2

Tenho 62 anos de idade, muito ativo, empreendedor, tendo passado por muitas lutas e dificuldades, que me levaram ao STRESS atingido a minha memoria. Apesar dessa idade, com 5 pontes de safenas,01 Angioplastia, enfarto, com 101 kg de peso, sou um homem de grande disposicao.

Estou recentemente casadso com uma jovem mais nova que eu 24 anos, e sem nenhuma queixa por parte dela de um homem ao seu lado,que da conta do recado rssss. Nunca tive uma boa memoria. Mas atualmente, no mesmo minuto que acabo de tomar um remedio, ou uso qualquer outra coisa,nao tenho certeza que o fiz.

Gostaria de uma ajuda profissional no sentido de recuperar ou adquirir uma memoria que me satisfaça.

Gerson Castro.

Olá Gerson,

Acredito que seria muito importante você procurar um médico psiquiatra ou neurologista, para realizar uma avaliação deste problema de memória. Na condição de não haver qualquer problema neurológico e biológico, sugiro você procurar por uma psicóloga para avaliar estes esquecimentos, que podem ter uma relação com um quadro de Stress e, para tanto, necessitar de tratamento psicológico.

Também sugiro que a terapia seja feita na abordágem Comportamental ou Cognitivo-Comportamental, pois ambas atuam no foco de comportamentos ou problemas ou dificuldades atuais, que parece ser seu caso.

Atenciosamente e à disposição,

Lilian Boarati

www.lilianboarati.com.br

set 2

As vezes me sinto triste, sem motivação, até mesmo sem libido sexual, esses são sinais de depressão?

O que devo fazer?

abs

Edvan

Olá Edvan,

Estes são alguns dos sintomas de depressão. É preciso avaliar a frequência que estes sintomas aparecem no seu dia a dia e durante a semana. É importante, também, avaliar se estes sintomas lhe causam algum prejuízo importante na sua dinâmica de vida atual, ou seja, se estes sintomas prejudicam seus relacionamentos e funções atuais como, trabalho, relacionamento social, afetivo, familiar, pessoal e desempenho sexual.

Diferentemente da tristeza, um sentimento negativo e sofrido, porém passageiro ou momentâneo e relacionado a uma específica situação ou circunstância, a depressão causa muitos danos em nossas atividades e sofrimento prolongado, nos dando a sensação de impotência, fracasso e paralização diante de nossas dificuldades. Ela costuma ser constante e está relacionada a diversos fatores, que podem ser internos (da sua existência, crenças, emoções e sentimentos) ou externos (situações que vc esteja vivendo ou que já viveu) e o resultado frequentemente costuma ser baixa de energia, vigor, baixa auto-estima, insegurança, medos, entre outros.

Se vc se identificar com esta descrição, sobre depressão, é importante que você procure por um Psquiatra para um diagnóstico e tratamento medicamentoso eficaz e que procure por uma Psicóloga Comportamental.

Um abraço,

Lilian Boarati
www.lilianboarati.com.br

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